Autor: Leonardo Castelo Branco
Postado em 12 de dezembro de 2025 às 10:51
Atualizado em 12 de dezembro de 2025 às 10:51

Depois de um período marcado por juros altos, consumidores mais cautelosos e um ritmo desigual entre lançamentos e vendas, 2026 se aproxima como um ano de virada para o mercado imobiliário brasileiro.
A combinação entre crédito mais acessível, políticas habitacionais expandidas, novas exigências de sustentabilidade e uma jornada do cliente cada vez mais digital forma o cenário ideal para um ciclo de transformação profunda.
A seguir, uma visão estratégica do que deve ganhar força ao longo do próximo ano e como esses movimentos podem impactar corretores, imobiliárias, incorporadoras e consumidores.
A trajetória de queda da taxa Selic, projetada para se estabilizar em patamares mais baixos ao longo de 2026, cria um ambiente de financiamento mais favorável.
Com o custo do crédito menor, a parcela fica mais acessível, a aprovação dos bancos tende a se expandir e o apetite de compra volta a crescer, principalmente a partir do segundo semestre.
Esse movimento favorece tanto quem busca o primeiro imóvel quanto investidores que aguardavam melhores condições para retornar ao jogo.
A continuidade das políticas públicas de estímulo à moradia, como o Minha Casa, Minha Vida reforçado pela inclusão da Faixa 4, deve impulsionar o segmento econômico e de médio padrão.
Com subsídios mais robustos e limites ampliados, o programa atua como uma das principais portas de entrada para famílias que estavam fora do mercado.
Para o corretor, isso significa fluxo constante de demanda, necessidade de atualização técnica e sensibilidade para orientar clientes com diferentes níveis de conhecimento financeiro.
Se antes a busca por imóveis era linear, hoje ela é multicanal — e em 2026 isso será ainda mais evidente.
O cliente circula entre site, aplicativos, chat, visita virtual, atendimento presencial, vídeo-chamadas e simulações interativas. Ele quer autonomia, precisão e uma experiência fluida.
Ferramentas como tour 3D, realidade aumentada, comparadores de planta, precificação inteligente e análise de crédito online deixam de ser diferenciais e entram no pacote mínimo esperado.
Corretoras e imobiliárias que oferecerem essa consistência entre o mundo físico e digital estarão um passo à frente na disputa pela atenção do cliente.
Uma das tendências mais fortes para 2026 é a compra de imóveis usados para reforma — fenômeno impulsionado pela busca por personalização, boa localização e potencial de valorização.
Ao adquirir um imóvel antigo em áreas consolidadas, o comprador percebe vantagens como:
Para corretores, esse movimento exige domínio sobre estimativas de obra, riscos comuns, prazos e fornecedores, garantindo que o cliente tenha clareza sobre o investimento real envolvido.
Sustentabilidade não é mais pauta acessória; é critério de decisão.
Em 2026, empreendimentos que apresentarem eficiência energética, reuso de água, soluções de iluminação natural, certificações verdes e integração tecnológica terão vantagem competitiva imediata.
O impacto é direto:
O consumidor — especialmente o de médio e alto padrão — enxerga esses atributos como parte da qualidade do imóvel, não como um “extra”.
Mesmo com a redução dos juros, o segmento de locação continuará aquecido em 2026.
A normalização do crédito não será imediata, e muitos consumidores ainda preferirão flexibilidade e menor comprometimento financeiro.
Além disso, a migração constante entre cidades e bairros, aliada ao crescimento do trabalho híbrido, mantém a locação como alternativa natural para uma parte crescente da população urbana.
O mercado de luxo continuará se destacando, mas com uma narrativa menos focada em metragem e mais em experiência.
O comprador desse segmento busca:
A personalização total do imóvel, a curadoria arquitetônica e os serviços sob demanda serão decisivos nesse nicho.
O próximo ano se desenha como uma janela rara de oportunidade.
A junção entre crédito mais barato, digitalização acelerada, maturidade dos programas habitacionais, fortalecimento da locação e novas exigências de sustentabilidade cria um ambiente fértil para quem atuar com estratégia.
Corretoras, imobiliárias e profissionais que entenderem essas tendências agora terão mais capacidade de: